O Dever de Informação como Excludente de Responsabilidade: Uma Análise da Sentença do sobre E-commerce Internacional

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Venture Digital

Consultoria Estratégica

No dinâmico cenário do comércio eletrônico globalizado, a fronteira entre a eficiência logística e a expectativa do consumidor é frequentemente tênue. Recentemente, uma decisão estratégica proferida nos autos do processo nº 0012541-38.2025.8.16.0044, consolidou um entendimento fundamental para lojistas e especialistas em Direito Digital: a força do dever de informação como barreira contra pretensões indenizatórias.

O Caso Concreto: Expectativa vs. Realidade Documentada

A demanda foi ajuizada por uma consumidora que adquiriu um produto com o intuito de utilizá-lo em seu casamento. Diante do atraso na entrega, a autora pleiteou a restituição dos valores (danos materiais) e uma compensação por danos morais, alegando o abalo emocional causado pela ausência do item em data tão significativa.

Contudo, a defesa da empresa, acolhida integralmente pelo Juízo, demonstrou que havia uma advertência explícita no ato da compra. A fornecedora informou claramente que:

  1. Trata-se de uma operação de compra internacional;
  2. Os prazos de entrega poderiam variar;
  3. O produto não era indicado para datas especiais ou eventos com cronogramas rígidos, justamente pelo risco inerente ao trânsito aduaneiro.

A Assunção do Risco pelo Consumidor

O ponto nodal da sentença reside na aplicação da Assunção do Risco. Ao decidir pela improcedência, o(a) Magistrado(a) destacou que, uma vez que a fornecedora cumpriu com transparência o seu dever de informar (art. 6º, III, do CDC), a consumidora, ao prosseguir com a compra, aceitou os riscos inerentes àquela transação.

A sentença reforça que o Judiciário não deve ser utilizado para tutelar o arrependimento de uma escolha cujos riscos eram previsíveis e previamente comunicados. Não houve, portanto, ato ilícito por parte da empresa, o que afasta o nexo de causalidade necessário para qualquer condenação.

Lições Estratégicas para o Empreendedor Digital

Esta decisão do serve como um leading case para estruturação de defesas em operações de dropshipping e e-commerce de importação. Os principais pontos de destaque são:

  1. Políticas de Site como Prova: A prova documental (prints e termos de uso) que alertam sobre a natureza internacional da compra e a imprevisibilidade de prazos exatos foi o que salvou a empresa da condenação.
  2. Mitigação do Dano Moral: O tribunal reiterou que o mero descumprimento contratual (atraso na entrega), por si só, não gera dano moral in reipsa. Sem a comprovação de uma violação grave aos direitos da personalidade, e diante da advertência prévia, a improcedência é o caminho natural.
  3. Boa-fé Objetiva: A transparência na comunicação cria um ambiente de segurança jurídica. Quando a loja avisa que o produto pode não chegar para um evento específico, ela está agindo em conformidade com o princípio da boa-fé, transferindo a responsabilidade da “aposta no prazo” para o comprador.

Conclusão

A sentença é um triunfo da clareza contratual sobre o subjetivismo das expectativas. Para o mercado digital, o veredito é claro: investir em Termos e Políticas de Loja personalizados e visíveis não é uma formalidade burocrática, mas a estratégia de defesa mais eficaz para prevenir bloqueios de conta, multas e condenações judiciais.

A transparência não apenas atrai clientes conscientes, mas também blinda o negócio contra as inevitáveis variáveis do comércio global.

Artigo elaborado por: Gabriela Barbosa Silveira em parceria com Artur Bernardes Mariano. Especialistas em Direito Digital e Estratégia Processual Cível.

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